água sanitária e toucinho

Espaço para exercícios físicos literários.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Versos de amor

Ah, quem me dera ter uns versos roubados...
Uns versos que falassem de amor
- mas que fossem roubados por um poeta maior -
E fossem espalhados ao vento
como cinzas de um cadáver.

Ah, quem me dera ser acusado de plágio em seguida...
]Só por dizer que amo muito e a esmo[
[Só por dizer que te amo]
Só por dizer
o quê todos sabem muito bem, mas têm medo dizer:

Só, então,
contrataria um advogado eficiente como o de K.
e, enfim, seria alvejado como um cão raivoso
um cachorro louco
- poeta menor.

- Oliveira.

sexta-feira, 27 de março de 2009

água sanitária e toucinho

(A)tirar um pouco pra alvejar
aqueles que estão passando
nas ruas, nas praças, nos jardins
,da cidade


O chiado da panela
.......................................
mostra o alho Re(a)fogado
em óleo de bronzear,
tostando o toucinho ao vento


Era branca, alva - imunda, com certeza -
molhada, suada, o cofre de fora e a
marca do biquíni ao alcance da mão.
Bebendo gazulina azul, bebendo
como se fosse água, como se fosse
benta, como se fosse pinga... ah! Comeu?!
Lá atrás, bem no "Le Ru", com Chef Fernando -
Que preferia sonhar com uma via Dutra
a levar aquilo tudo nas costas,
de novo, de novo e de novo - então,
Montava na moto como se montasse
um selvagem cavalo dos bem chucros
e os dois lá: olhando e babando todo o
sanduíche de três andares... de(s)feito(s).

(Quando ele saiu
do aniversário
decidiu nunca mais beber
menos do que os outros)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Uma maçã no escuro é tudo que me apetece nesta hora...
Não é preciso preocupar-se com bichos ou grilos, por isso
Tudo que quero é uma maçã no escuro...

- Íris.
Erasmus Frae

Imagine, ao invés de um cra-
munhãozinho, aprisiona(do)r
uma das musas: Calíope.
Ah, um cramunhão, pode até
ser bom pra "fechar" o corpo,
mas musa é boa pra abrir tudo,
portanto muito mais útil
que a bosta dum satanazim.
Mexer com as ideias, ou idéias -
(tanto faz para essa língua
d'putas, juízes, políticos -
És última flor de merda,
estúpida e de novela...)
- escrever com sangue, quando
acabar a tinta espúria.
Quero meu corpo deserto,
descalço, na praça pública,
esquartejado, tão roto,
visitado por cães feios:
rrrrrrrosnando, rrrrrrrosnando, rrrrrosss....

- Oliveira

sexta-feira, 13 de março de 2009

The Phatom

il faut
(M)ira

-Mask
ára

DIP
NOPE


Canis
Panis
et circences

Webber, Malk,
Bleed

seed

Dement(al)mente

Pool

- Oliveira
(R)O(r)lando

Então, Aedo, chega aqui
triste e fatigado - ainda em tese -
Enquanto fatigado e triste estou.




Deve lembrar-se:
Tudo na vida começa com um naufrágio -
chegar até a ilha, Civitta(dor), tanto fez.

Furioso seria se fosse Rolando,
pero - e é baixo que to digo -
: es el caballero de la triste figura.





(Neste ponto, Aldonza entrou no palco e disse
"Eu era apaixonada por ele...
Mas o cara só me chamava por um OUTRO nome... uma tal de Dulciseiláoque...)

Se amores são (im)possíveis não sei...
Mas,
,
não é só tristeza;
parece cocaína -
: sim, sim, isso é Kistch. Assim como
amor é Kistch.

Ridículo.
assim como
todas as cartas de amor são
ridículas.
Ah,
,
sim.

- Oliveira.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Nunca mais

O corvo continua
dizendo a mesma coisa
A carniça é nova
E não está totalmente morta
Mas ninguém quer esperar

Estar aqui no meio do redemunho
no meio do caminho
no meio das suas pernas
é encontrar o demônio tocando piano num pub em L. A

O penedo guarda uma índia
E os fogos de artifício abafam
os beijos do casal apaixonado
que fica pela primeira vez
eternizado naquela noite de final
da taça guanabara
cheia de ais...

- Oliveira
17:03

Então?

Estes versos de minuto
estas estrofes apoéticas
não servem pra nada.

- Íris
24 - 01 - 85

16:57

Hoje o dia foi quase inútil
dormi inutilmente
acordei, ou penso que sim,
comi por comer
escrevi minha mente numa folha de papel higiênico usada
por você

- Íris

Da ponte pra cá...

Da ponte pra cá, há bosta
à beça. Mas veste-se
a beca e vai-se pra festa.
Antes, porém, postam-se
enfileirados, eufóricos.
Há discurso que não diz
curso de nada. Explosão.
Paraninfo, mas sem ninfas:
"Esta é a última turma digna
de aplausos!" Explosão.
Em seguida oito formandos,
todos brancos, mas em preto,
recebem das mãos paternas,
(Caso especial: só quando
pais são médicos também...)
o tão merecido diploma.

- Oliveira.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

21:01

Receita de poesia

Você precisa de:
dois potes de "homé famoso"
(a qualidade de homé na sua cozinha!)
três porções de nada
dois potes de terços
sete xícaras de coisa nenhuma
uma pitada de metalinguagem
junte todos os ingredientes
coloque numa forma deformada
untada com versos livres
não cubra com rimas que está fora de moda
(É Foda...)
no máximo coloque alguns paralelismos
e, talvez, algumas assonâncias, pra adocicar
cuidado com o Isagero
e, por favor,
não fale de amor que vai ficar atifircial
se quiser que a massa fique mais concreta
jogue tudo no chão
com forma e tudo
dará um ar plástico
sirva frio
Dá pra uns 100 anos, no mínimo.
Solta os cachorros.

- Íris.
28-09-05

20:05

Chico fala comigo de novo.
Conversamos sobre o cotidiano.
O dia dele foi melhor que o meu.
Ele reclama, sempre.
Todo dia só penso em poder parar.
Mas me calo com todas as bocas,
que encontro, e o devoro,
esfinge infinita e insaciável.

- Íris.
A partir do poema anterior, Íris Bast irá assassinar poemas aqui neste blog também.
Íris é de origem búlgura, tem 35 anos e sobrevive em Vitória, ES.
É jornalista e nas horas vagas se exercita poetando.
Tem um corpo escultural, é claro, devido a tanto exercício.
Não gosta de MPB e julga o atual e inatual cenário artístico capixaba uma merda.
Não tem papas na língua, como se vê.
Poetisa inédita em livro, pretende publicar esses primeiros poemas aqui neste blog, porque não tem paciência, nem saco, pra pagar o mico de ir de mesa em mesa, de lama em lama.
De marginal, portanto, não tem nada.

Oliveira.
20/03

17:58

a página em branco
causa repulsa
escrevo por impulso
do pulso que pulsa
a vulva pulsa e pulsa
junto com o pulso
assim, vamos, manos, luvas
pulsa pulsa pulsa
no impulso
do pulso

- Íris.
O problema de se falar em dados
são as pessoas, que sempre pensam
em seis faces.

Depois, tento falar de ficção,
mas jogam realidade
na minha cara.

Passo pra arte, entre passos tortos,
mas desisto logo, porque
não há argumentos para bater
as penas da Flávia Alessandra.

Só; então,
mudo
...

- Oliveira
Então, calço umas palavras
vou por aí chutando latas
até achar uns versos chatos -
não faria isso com sapato.

Versos que são como ratos
(os demais são todos ralos -
ah, não, não servem como balas...)
e que correm pelas valas,

tristes, sujos, safados.
Tomo cuidado com gatos -
preciso afastar suas patas,
se não me roubam as falas.

- Oliveira

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Obituários - II

VIII

Havia uma cruz na estrada.
Uma cruz e uma placa:
"Trecho perigoso"

IX

Morreu a bola oito,
na caçapa do lado.
Mereço um trago,
depois um coito.


XI

Lá fora, há uma luz que entra de férias,
Há um par de luvas que descalço,
Há um mar e um temporal.
Há só isso, e nada mais.

XVI

aí depois eles foram pra outra rua
é preciso evitar o deja vú
e salvar a cadelinha
muitos fogos de artifício
capturar novos versos
que passam voando
e ecoar
coando

- Oliveira

Obituários

I

Na igreja onde deflorei uma flor já gasta,
Jaz minha infância casta.
Com ela ficou minha inocência, basta.

II

Minha virgindade ficou no quintal,
ah, titia, aquele avental,
fazer subir a pipa, já não é nada!

III

Aqui jaz Jão Manel Fernandes,
Pai álcoolatra e marido brocha.
Que na morte sejas duro, Ó corno.

IV

Faça-se saber que faleceu Maria da Gloriosa Assunção,
Os parentes não vão receber pêsames,
Porque afinal de contas a velha era uma chata,
então ninguém deve resignar-se. Ao invés de velório,
Será feita uma Rave no cemitério municipal de Maruípe.
Todos estão convidados; drogas liberadas.

V

Já era tarde
quando descobri que me ensinaram tudo errrado...
Não é possível localizar esse discurso no tempo e no espaço.
Aqui jaz o nada.
Não deixem flores.

VI

Quando saí do morro pela primeira vez,
vi como são burras as crianças que têm pai.
Morreu minha inveja,
aí.

VII

Aqui Jaz João Ninguém.
Indigente de pai e mãe.
Amado pai e esposo.
Descanse em paz.

- Oliveira



Debutando

a mocinha foi pra festa
sem calcinha
agarrou o marinheiro
e deu-lhe um beijo
a família ficou h-o-r-r-o-r-i-z-a-d-a

- Oliveira